Em entrevista ao Acontece na Região, o professor universitário Glauber Woida fala sobre os riscos da exposição precoce de crianças à sexualização, alerta para os casos de gravidez na adolescência e defende o papel ativo dos pais na proteção dos filhos.
O termo adultização infantil tem ganhado espaço nas discussões públicas e preocupa especialistas em educação e desenvolvimento humano. Para esclarecer o assunto, o Acontece na Região conversou com o professor universitário Glauber Woida, que atua na ITE, em Bauru, é assistente social e já foi conselheiro tutelar. Conhecedor da realidade social de Lençóis Paulista e região, Glauber faz um alerta importante: “Estamos deixando nossas crianças vulneráveis por falta de atenção e responsabilidade dos adultos”.
Segundo Glauber, adultização é quando a criança, que ainda está em desenvolvimento físico e psicológico, passa a ser tratada como um adulto — seja pelas roupas, pela forma como é exposta ou pelos estímulos que recebe.
“Vemos crianças com salto, sombra e batom. Isso parece inofensivo, mas interfere no desenvolvimento físico e psicológico. A criança começa a se enxergar como adulta e a querer pertencer a esse universo, muitas vezes motivada por likes e visualizações nas redes sociais”, explica o professor.
Papel dos pais e limites da exposição
Glauber reforça que a responsabilidade sobre a educação e os limites das crianças é sempre dos pais. “A legislação é clara: pai e mãe são obrigados a garantir sustento, guarda e educação dos filhos. Isso inclui limitar o que assistem, com quem andam e como se vestem”, afirma.
Ele também chama atenção para os riscos da superexposição nas redes sociais. “Muitos pais postam fotos e vídeos aparentemente inocentes, mas que podem ser explorados por pedófilos. Quando se expõe o corpo de uma criança, mesmo que de forma sutil, há risco de conotação sexual. E isso pode ser enquadrado como pornografia infantil”, alerta.
Gravidez na adolescência: realidade local
A adultização, segundo Glauber, está diretamente relacionada ao aumento da gravidez na adolescência. Ele apresenta dados alarmantes: só em Lençóis Paulista, nos últimos cinco anos, 405 adolescentes se tornaram mães.
“Essas meninas estão sendo estimuladas precocemente à sexualidade, seja pela mídia, pelas redes sociais ou até por danças que banalizam o erotismo. Isso não é natural e não é saudável. A ONU considera a gravidez na adolescência uma gravidez de risco. O corpo ainda não está pronto”, destaca.
Outro ponto grave abordado na entrevista foi a chamada “cultura do job”. Segundo Glauber, adolescentes da região têm trocado fotos íntimas por transferências via Pix, em uma prática que configura exploração sexual infantil.
“Elas tiram fotos, mandam pelo WhatsApp e recebem dinheiro. Isso é crime. E muitas vezes acontece dentro do quarto, com o celular nas mãos, longe dos olhos dos pais. Antes o perigo estava na rua; hoje, está dentro de casa”, alerta.
Para o professor, a melhor forma de prevenir a adultização e proteger as crianças é com presença e responsabilidade dos pais. “É preciso estar junto, conversar, observar. As crianças não têm estrutura para lidar com esse mundo sozinhas. Elas precisam de proteção, não de exposição”, finaliza.
Confira a entrevista:











